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Esclarecimentos após polêmica sobre sua pregação de Sexta-feira Santa
2010-05-22- Zenit
PADRE CANTALAMESSA NÃO QUIS OFENDER JUDEUS



ROMA, domingo, 4 de abril de 2010 (ZENIT.org). – O pregador do Papa, padre Raniero Cantalamessa, não teve a intenção de ofender a sensibilidade dos judeus em sua pregação de Sexta-feira Santa na Basílica Vaticana, e se o fez, pede humildemente por perdão.


O frade capuchinho, durante a celebração da Paixão do Senhor, na presença de Bento XVI, citou um trecho de uma carta recebida de um amigo judeu. Na carta, o autor afirmava reconhecer na recente onda de ataques por parte da mídia ao Papa e à Igreja alguns dos “aspectos mais vergonhosos do anti-semitismo”.


Na sequência, alguns veículos de comunicação apresentaram a pregação do padre Cantalamessa com o título “Contra o Papa e a Igreja, uma campanha de ódio como o anti-semitismo”, suscitando assim duras críticas por parte de representantes da comunidade judaica.


Em resposta a estas declarações, padre Cantalamessa afirmou: “Se, contrariamente às minhas intenções, ofendi a sensibilidade dos judeus e das vítimas de pedofilia, lamento sinceramente e peço desculpas, reafirmando minha solidariedade para com ambos”.


“Uma coisa devo esclarecer” – acrescentou o pregador da Casa Pontifícia - : “o Papa não apenas não inspirou minhas palavras, como ainda, juntamente aos que o acompanhavam, as ouviu pela primeira vez durante a liturgia em São Pedro. Ninguém no Vaticano jamais requisitou ler antecipadamente um texto meu, algo que considero um forte sinal de confiança em mim e nos veículos de comunicação”.


O frade capuchinho explicou ao Corriere della Sera as verdadeiras intenções de sua citação: “Neste ano a Páscoa judaica ocorre na mesma semana da Páscoa cristã. Isto fez nascer em mim, ainda antes de receber a carta de meu amigo judeu, o desejo de fazer chegar até eles uma saudação por parte dos cristãos”.


“Inseri o trecho da carta que recebi de meu amigo judeu porque me pareceu um testemunho de solidariedade (...) minha intenção era, portanto, amistosa, e de nenhuma forma hostil”.


“O autor da carta, um italiano muito ligado à sua religião, me autorizou em sua carta a também mencionar seu nome. Entretanto, julguei oportuno não envolve-lo, decisão que ainda mantenho”, disse depois.


Na Sexta-feira Santa, após a pregação, o diretora da Sala de Imprensa vaticana, padre Federico Lombardi S.J., precisou que “associar os ataques ao Papa pelos escândalos de pedofilia ao anti-semitismo não é a linha seguida pela Santa Sé”.


“Padre Cantalamessa” – prosseguiu o porta-voz – “quis apenas destacar a solidariedade para com o Pontífice por parte de um judeu, à luz da particular experiência de dor infligida a su povo. Mas foi uma citação que poderia dar margem a mal-entendidos”, concluiu.

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